Recebo frequentemente edifícios cansados de obras anteriores — tetos falsos, revestimentos que escondem mais do que protegem. O primeiro gesto é quase sempre de remoção: tirar para perceber o que está lá.
Reabilitar bem exige resistir a duas tentações opostas. A primeira é o pastiche, fingir que a nossa intervenção é antiga. A segunda é o contraste gratuito, impor uma linguagem que ignora o que encontrou.
O novo deve ser legível como novo, mas falar a mesma língua do que veio antes.
Entre estas duas margens há um caminho estreito e fértil: acrescentar com clareza, deixar que cada época se leia. O edifício passa a contar a sua própria biografia, sem capítulos apagados.